Mirante de Vésper
desencantar
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Imune
Transformado pelas farpas que procuro
Intrigado com a dor que não me toca
Na fissura de um golpe tão recente
A mazela que a saudade não provoca
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terça-feira, 1 de maio de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Do Agora
Hoje eu serei um ermitão só por preguiça de ser outra coisa. Vou abolir os fones de ouvido e deixarei o player no aleatório. Uma das ideias é botar o sono em dia e só comer alimentos que não exijam o auxílio de talheres. Hoje eu fumarei quantos maços de cigarro eu quiser apenas pelo prazer de jogar fumaça contra algum feixe de luz.
Ah, eu me protegerei das decisões aqui embaixo do meu cobertor. Não haverá sol que me veja e nem porta que eu abra.
Decidi que vou dizer em voz alta várias palavras e expressões que detesto. Esse será o dia do"aff" e das oxítonas. Já deixo avisado que hoje não atendo o telefone, não ligo a TV e não leio o horóscopo.
É que eu optei pela desordem e pela tranquilidade. E só considero bem vindo aquele que me ajudar a continuar transformando meu dia numa total zona de conforto.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
A.M.
Volte às vezes mas não me acorde
E ao vigiar meu sono, tenha cuidado com meus sonhos
Pois meu apreço é sem tamanho
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Rádio Elétrica
Liguei o rádio e a chuva veio
Imediatamente regulei o volume de modo que pudesse ouvir os dois sons
Pra mim rádio é companhia da boa
E a desvantagem de não selecionar previamente aquilo que se ouve é compensada pela quase certeza de que há alguém em algum lugar dividindo canções com você
Divagar com quem não sabe é aventura que não dispenso
Gosto tanto de estar sozinho achando que não
E quem, como eu, não tem um deus pra lhe acompanhar se agarra aos Beatles,
ou aos Stones
Nesse momento eu falo com John
Alô
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Ps.: A rádio mencionada no texto é uma rádio online do sul e eu mais que recomendo. A quem interessar: http://www.radioeletrica.com/
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
Olhar Pra Dentro
Tudo é fascínio quando vislumbro a ordem que não me pertence. Me olho com uma inaceitável estranheza e não possuo uma tatuagem que me resuma ou uma história que me facilite.
Sei desde sempre que olhar pra dentro é tortura e que quando o faço só vejo minha impotência frente a um caos que, na maioria das vezes, não me interessa consertar. Me interessa apenas que seja eu a última pessoa a me ferir. Nada mais eu temo.
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Livro de Ana
Ana nasceu escritora e incontáveis vezes colocou o mundo que conhecia no papel. Desde sempre ela é assim, devoradora de detalhes e possuidora de uma visão tão singular quanto a amargura que carrega nos olhos.
Ela já escreveu a chuva e dessa forma deu uma cor diferente a cada gota que insistia em martelar seu telhado.
Há alguns anos Ana começou seu próprio livro, um projeto acanhado que às vezes lhe consome a alma. Vez ou outra - quando se apaixona - Ana deixa que leiam algumas de suas tão bem trabalhadas páginas.
Ana escreve poesias e quem as lê irremediavelmente se apaixona pela moça. Ela já entregou seu coração algumas vezes e todos os homens que o tiveram ganharam também a honra de conhecer o Livro de Ana.
Pobres criaturas essas que deitam os olhos sobre as palavras que Ana teceu. Mal sabem eles quão maldito é o livro que eventualmente tem em mãos.
Os homens que tocam aquele livro nem imaginam, mas já perderam a liberdade. Eles estarão para sempre presos entre aquelas páginas, a mercê dos olhos e vontades de sua autora.
Toda a subjetividade que deixam escapar será manipulada a bel-prazer de outrem.
Todas as almas, falas, odores e hábitos serão roubados.
Serão aos poucos confinados naquela ilha estéril e terão como companheiros apenas outros ecos de humanidade.
Alguns acham que tudo podem com Ana, enquanto isso outros gritam em desespero tentando alertá-los sobre o inevitável destino que os aguarda, mas nenhum grito é ouvido, nenhum espírito ganha redenção.
Todos estão previamente condenados é só há uma salvação.
Os homens de Ana precisam entender que ela é faminta e sempre os prenderá, mas eles sempre poderão escolher se preferem padecer na secura de um livro ou se preferem ter como morada o mais insistente dos corações.
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Ela já escreveu a chuva e dessa forma deu uma cor diferente a cada gota que insistia em martelar seu telhado.
Há alguns anos Ana começou seu próprio livro, um projeto acanhado que às vezes lhe consome a alma. Vez ou outra - quando se apaixona - Ana deixa que leiam algumas de suas tão bem trabalhadas páginas.
Ana escreve poesias e quem as lê irremediavelmente se apaixona pela moça. Ela já entregou seu coração algumas vezes e todos os homens que o tiveram ganharam também a honra de conhecer o Livro de Ana.
Pobres criaturas essas que deitam os olhos sobre as palavras que Ana teceu. Mal sabem eles quão maldito é o livro que eventualmente tem em mãos.
Os homens que tocam aquele livro nem imaginam, mas já perderam a liberdade. Eles estarão para sempre presos entre aquelas páginas, a mercê dos olhos e vontades de sua autora.
Toda a subjetividade que deixam escapar será manipulada a bel-prazer de outrem.
Todas as almas, falas, odores e hábitos serão roubados.
Serão aos poucos confinados naquela ilha estéril e terão como companheiros apenas outros ecos de humanidade.
Alguns acham que tudo podem com Ana, enquanto isso outros gritam em desespero tentando alertá-los sobre o inevitável destino que os aguarda, mas nenhum grito é ouvido, nenhum espírito ganha redenção.
Todos estão previamente condenados é só há uma salvação.
Os homens de Ana precisam entender que ela é faminta e sempre os prenderá, mas eles sempre poderão escolher se preferem padecer na secura de um livro ou se preferem ter como morada o mais insistente dos corações.
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Um Bilhão de Frames
Agora, depois de tanto chão, repentinamente me descubro tão grato. Parece que há tempos te devo esse "obrigado", mas só agora me sinto confortável para dizê-lo.
Então.
Obrigado por ter despertado minhas cores, apesar do pouco tempo que tiveram ao sol, sei que em algum lugar elas agora brilham muito mais.
Devo te agradecer também pelas novas sensações, voar foi algo realmente indescritível. Ouso até afirmar que não há mais ninguém no mundo que consiga, por brevíssimos instantes que sejam, sossegar a gravidade como você fazia quando me abraçava.
Tanto eu cresci no seu colo que nem me lembro qual nome eu tinha quando te conheci.
Tenha certeza, você, de que o primeiro sorriso que te dei vingou, talvez você não tenha percebido, dada a convivência e nossas imagens insistentes na retina um do outro.
Mas eu te digo que agora eu posso encantar o mundo só com o sorriso barulhento que você me devolveu. Acredita que eu ainda o tenho no bolso?
Ele me serve de amuleto e durante as madrugadas escuras ele espanta todos os fantasmas que atraiu durante o dia. É uma sina tão ingrata.
Sei que os agradecimentos, assim como as desculpas, são portadores terminais de um vazio desconfiado.
Mas é o que posso te dar agora.
Sei também que parece muito pouco, afinal de contas eu contei com seus olhos todas as estrelas que existem e em sua boca eu descobri o nome de cada uma delas. Pena que minha memória seja injusta, pois essa lembrança era um dos poucos prazeres que me restavam. Desses meus prazeres tão pequenos e tão vorazes que quase me custam a sanidade.
Falando em sanidade, onde essa criatura se meteu?
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